Há cerca de três anos, como parte de um esforço de reestruturação, o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, mantido pela Associação Educadora São Carlos (AESC), promoveu mudanças em sua política interna. Houve desde os ajustes básicos nos planos de cargos e salários até oportunidades de desenvolvimento de competências, passando pela unificação de benefícios aos funcionários, como planos de saúde e odontológico.

O desenvolvimento das lideranças do Hospital foi intensificado, favorecendo o surgimento e consolidação de novos gestores e oportunizando o crescimento interno dos profissionais. Entre os líderes formados está a gerente assistencial Aline Silveira, que encara o desafio de conduzir sua equipe em meio à pandemia, somando novos aprendizados a cada dia.

 

Mas o que passa pela cabeça de um profissional da saúde nesses meses de pandemia? “Orgulho. A cada dia procuramos nos superar.”

E como manter o foco? “Com o apoio da família. Isso me fortalece.”

Essas perguntas ajudam a definir o cotidiano e o perfil de Aline, 39 anos, que deixou Porto Alegre em 2006, em busca de qualidade de vida, para levar sua dedicação e profissionalismo à comunidade de Torres e região.

A enfermeira vem superando os desafios impostas pela Covid-19, algo comum a hospitais em todo o Brasil, tendo na sua equipe e na estrutura do hospital os principais aliados. Em sua casa, recebe o apoio do filho Bruno, 14, e a compreensão do esposo Márcio, 42. Em meio a esse momento ela cresce profissionalmente, junto com a instituição onde trabalha.

Enfermeira Aline Silveira, gerente assistencial no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Torres | Foto: Brun Filmes/Emmanuel Denaui

Como te tornaste enfermeira e o que essa profissão representa?

Sempre tive muito presente a área da saúde dentro de casa. Meu pai trabalha na área de manutenção de equipamentos hospitalares. Cresci vendo a oficina dele e ouvindo relatos de hospitais. Comecei a trabalhar na saúde em 2000, em Porto Alegre, como recepcionista em uma clínica, e com faturamento hospitalar, antes de estudar Enfermagem. Ser enfermeira representa a realização de um sonho. 

 

Quando iniciou a trajetória no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes?

Eu iniciei com um estágio curricular, em 2007. A AESC tem contrato com a ULBRA, no Campus Torres, onde estudei. Fazia atividades práticas e algumas teóricas dentro do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes. Depois, em 2009, fiz estágio remunerado, por um semestre, no Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, e retornei no final de 2012 para um contrato temporário, de seis meses. Em 2013, fui contratada em definitivo, para o cargo de folguista. Trabalhava em diferentes setores. Isso me trouxe muito aprendizado. No mesmo ano, participei de um processo seletivo para o serviço de diagnóstico por imagem, onde atuei até 2018, após passar pela Central de Material Esterilizado e Bloco Cirúrgico.

 

Como surgiu a oportunidade de assumir a Gerência Assistencial?

Fui convidada em fevereiro de 2019. Foi um desafio bem inesperado, e estou aprendendo a ser gestora. Sempre me vi na assistência, com atendimento ao paciente à beira do leito. Agora, com esse cenário de pandemia, essa experiência fala muito alto. Mas me senti muito apoiada. Tenho colegas com quem trabalho há alguns anos, que entraram comigo eu participei no processo seletivo. Há uma conexão bem importante para o amadurecimento como protagonista do cargo.

 

E, um ano depois da promoção, chega uma pandemia. O que tu colhes de aprendizados?

Orgulho. Orgulho dos profissionais da saúde, pois é muito difícil. A cada dia procuramos nos superar, para que as incertezas sejam menores, para que isso acabe de uma vez e cause o mínimo de danos possível.

Tenho orgulho muito grande da minha equipe, pois ela ficou, se entregou, entendeu que o momento é realmente diferenciado. Temos por quem lutar, por quem trabalhar, por quem sair de casa, e não nos encolhemos esperando que tudo passasse.

“Tenho orgulho muito grande da minha equipe, pois ela ficou, se entregou, entendeu que o momento é realmente diferenciado.”

 

O que destacas de positivo nesse período de gestão?

Descobrir que, embora não tivesse almejado um desafio desses, que sou capaz. Redescobri meus limites colocando outros a serem alcançados. Isso foi bem interessante.

 

Como tem sido a relação com a família nesse momento?

É um suporte muito importante. Tenho um filho, Bruno, de 14 anos. É muito difícil manter um adolescente nessa idade dentro de casa. Ele gosta de jogar vídeo game, tocar contrabaixo, assiste muitas vídeo aulas. Ele é muito colaborativo. Há cinco meses não encontra os amigos e se mantém seguro para não ser um alvo de preocupação para mim. É um querido. Meu esposo, Márcio, que é contador, também entende muito os dias que chego cansada, quando não quero falar muito. Tenho muito apoio dos dois para esses momentos. Isso me fortalece.

 

Como descreves tua jornada de 7 anos como profissional na AESC e o período de estágio?

Um período de muito crescimento e amadurecimento junto com a instituição. Entrei lá em 2009, como estagiária, vendo muitos pontos que foram melhorados em termos de estrutura física, número de funcionários, perfil de profissionais. Participei desse processo de ampliação de leitos, de serviços, de equipes de trabalho, de qualificação dos profissionais que hoje atuam. É muito enriquecedor. É muito gratificante essa história.

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