De acordo com o calendário do Ministério da Saúde, em 19 de janeiro é celebrado o Dia Mundial do Terapeuta Ocupacional. Na Associação Educadora São Carlos (AESC), a maior parte dos profissionais atuam nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), como é o caso de Carolina Sperb, 40 anos, cinco deles trabalhando nessas estruturas voltadas à saúde pública. Especializada em Saúde Coletiva com Ênfase no Cuidado de Pessoas com Problemas de Álcool e Outras Drogas, e com mestrado em Psiquiatria pela UFRGS, ela compartilha, na entrevista abaixo, sua trajetória e um pouco da visão pessoal sobre o ofício, as vivências e aprendizados.

Carolina Mello Sperb, terapeuta ocupacional no CAPS AD III Partenon-Lomba do Pinheiro /
Foto: Comunicação AESC

 O que significa para você ser Terapeuta Ocupacional?

Significa estar presente na vida de um sujeito, ajudando-o a desenvolver seus maiores potenciais de vida, trabalhando para que ele possa ter uma melhor qualidade de vida. Ser Terapeuta Ocupacional (TO) é ver a pessoa como um todo. Trabalhar em todos os aspectos de saúde: biopsicossociais e espirituais, para que esse indivíduo seja visto como um ser completo com desejos e realizações a serem alcançadas. A TO tem a especificidade de trabalhar com a ocupação humana. Minha experiência de troca com a equipe multidisciplinar enriquece muito o trabalho.

Como você acredita que a Terapia Ocupacional é capaz de transformar a vida das pessoas?

Através desse olhar diferenciado ao paciente. É a partir desse olhar que buscamos o possível e o impossível, para ser um canal de ajuda a transformar a vida dessa pessoa com atendimentos diversificados. É possível fazer com ele ou ensiná-lo teatro, música, artesanato, passeios nos territórios, visitas domiciliares, abordagem na rua etc.  

Trabalhar com saúde mental requer muita criatividade, resiliência e persistência

Carolina Mello Sperb, terapeuta ocupacional

Que valores você considera importante nessa atuação?

O acolhimento, o amor e a dedicação aos nossos usuários. Isso é o que faz a mudança na vida deles e esse é o meu propósito de vida: ajudar a essas pessoas que tanto precisam.

Como você descreve sua experiência nos CAPS?

É muito linda. Quando iniciei, passei pelos três CAPS na época: IAPI, Vila Nova e Partenon-Lomba do Pinheiro (PLP), onde trabalho atualmente. Ter passado por essa experiência me fortaleceu muito para potencializar as trocas na rede de cuidados e conhecer diversos usuários e profissionais que, por muitos momentos, tive contato novamente após ter permanecido somente no CAPS PLP. Entendo a minha experiência como algo inovador, criativo e desafiador. Trabalhar com saúde mental requer muita criatividade, resiliência e persistência. Nesses cinco anos, desenvolvi muitos projetos que capacitaram os usuários na busca de uma diferente geração de renda, desenvolvimento e empoderamento de seus potenciais de vida, recuperação e/ou redução de danos, para atingir uma qualidade de vida melhor. Os usuários são minha fonte de inspiração para buscar tudo que há de melhor para meu paciente.

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