A jornada de um paciente oncológico é diferente de qualquer outra dentro de um hospital. Ao contrário de uma cirurgia ou de uma emergência, o cuidado oncológico não acontece em um único momento. É uma jornada que pode se estender por meses, às vezes anos, passando pelo diagnóstico, tratamento e acompanhamento e, com frequência, impactando a vida de toda a família. Nesse percurso, dúvidas, incertezas e emoções exigem o apoio de uma equipe multiprofissional.

É nesse contexto que atua o Centro Integrado de Oncologia (CIO) do Hospital Mãe de Deus, uma estrutura que reúne radioterapia e quimioterapia em uma atuação cada vez mais integrada, conectando assistência, processos e gestão.

À frente dessa estrutura estão Viviane Bogsan, Gerente Executiva; Aline Moraes de Abreu, Coordenadora Assistencial; e Karine Salazar, Coordenadora Administrativa. São três olhares diferentes e complementares sobre um mesmo propósito: acompanhar o paciente do início ao fim do tratamento, sem perder de vista nem o cuidado, nem a sustentabilidade do serviço.

Uma história que começa em 1978

A trajetória do CIO tem origem no Centro de Oncologia Radioterápica (COR), fundado em 1978 pelo Dr. Luiz Alberto Arisoli Fagundes. Com o crescimento da demanda oncológica no Mãe de Deus, a instituição viu na incorporação da clínica uma oportunidade de ampliar o serviço e, em 2007, incorporou o COR.

O objetivo de unificar a jornada do paciente levou radioterapia e quimioterapia a caminharem juntas, e o antigo COR deu lugar ao Centro Integrado de Oncologia. O nome traduz a proposta de olhar o paciente em sua totalidade, e não a partir de serviços fragmentados.

“O paciente não vive setores. Ele vive uma jornada. Nosso desafio é conectar todas as etapas do cuidado.”, lembra Aline.

Diferentes perspectivas, um mesmo propósito

A integração também aparece no dia a dia da equipe. Cada especialidade conta com seu próprio tumor board, reunião semanal em que os especialistas discutem conjuntamente os casos dos pacientes. A enfermagem também tem o seu, valorizando a perspectiva de quem está diretamente envolvido na entrega do tratamento.

Essa visão também se traduz em iniciativas como o Núcleo de Experiência do Paciente (NEPO), com rounds que integram os diferentes setores multiprofissionais e ampliam o olhar sobre a experiência do paciente ao longo de toda a jornada.

A navegação do paciente é outra frente importante. O Mãe de Deus foi um dos serviços pioneiros do Rio Grande do Sul na estruturação dessa prática, que busca acompanhar o paciente ao longo de sua jornada e facilitar a conexão entre as diferentes etapas do cuidado.

A diversidade de olhares também está presente na liderança. Aline, que atua mais próxima da assistência, traduz sua atuação a partir de três pilares: acolhimento, estratégia e cuidado com quem cuida e com o paciente.

“É acolher e resolver. O paciente precisa estar aqui conosco e a gente resolve da melhor forma. E, para isso, também precisamos cuidar de quem está na linha de frente, desenvolver a equipe e pensar estrategicamente nos caminhos que tornam essa jornada mais segura, integrada e humana.”

Viviane, por sua vez, traz um olhar mais voltado para processos, resultados e sustentabilidade financeira do serviço, enquanto Karine atua na organização administrativa necessária para sustentar essa operação integrada.

Cuidado que também acontece nos bastidores

Para sustentar essa complexidade assistencial, o CIO passou recentemente por uma reorganização administrativa, com a implantação de uma gestão única para toda a Oncologia. Entre as iniciativas está a estruturação de uma central de agendamentos de todas as infusões e procedimentos realizados no serviço. A iniciativa busca concentrar informações e dar mais agilidade à jornada do paciente. Hoje, a operação está distribuída em diferentes espaços físicos, o que exige alinhamento constante entre as equipes.

O cuidado também se estende a quem cuida. Iniciativas como o Projeto Liderar, desenvolvido pela gerência de enfermagem do Hospital Mãe de Deus, contemplaram os enfermeiros do CIO, promovendo o desenvolvimento de competências comportamentais alinhadas às diretrizes institucionais.

A partir da criação da Coordenação Assistencial, novas iniciativas também passaram a fortalecer a integração e o desenvolvimento das equipes, como o Tumor Board da enfermagem e o Science Day, que promovem a troca de conhecimento com convidados internos e externos. Treinamentos contínuos, momentos de descompressão e confraternizações mensais também integram essa rotina. Essas ações contribuem para o aprimoramento técnico, a colaboração e o apoio mútuo.

Próximos passos

A operação da Oncologia envolve desafios constantes. A disponibilidade de novos medicamentos, protocolos e tecnologias amplia as possibilidades de tratamento e exige processos capazes de acompanhar esse movimento, o que também inclui a relação com as operadoras de saúde. Outra frente é transformar a assistência em dados. Hoje, a navegação acontece por recortes do tratamento, e o objetivo é estruturar uma linha de cuidado que permita medir desfechos de forma consistente.

Mais do que reunir diferentes serviços, o propósito do Centro Integrado de Oncologia é conectar pessoas, conhecimento e etapas para construir uma jornada cada vez mais coordenada, em um momento da vida em que cada detalhe do cuidado faz diferença.

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