Integração sempre foi uma marca presente entre os profissionais do CAPS AD IV desde a sua abertura, em março de 2019 | Foto: Emmanuel Denauí / Brun Filmes

Comemorando um ano de funcionamento, o CAPS AD IV Centro Céu Aberto é o primeiro Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas na modalidade tipo IV (médicos 24 horas) que funciona no Brasil e já atende mais de 1.300 pacientes. Toda a estrutura, situada Rua Comendador Azevedo, 97, em ambiente acolhedor no Quarto Distrito de Porto Alegre, está voltada a estabelecer vínculos de confiança, levando os valores da Associação Educativa São Carlos (AESC) a populações vulneráveis, em sua maioria, moradores de rua e usuários de álcool e outras drogas.

Considerando a experiência da AESC em saúde e educação, a equipe formada para atendimento no CAPS AD IV começou os trabalhos antes da abertura oficial, em 29 de março de 2019. Para desenhar o espaço e a forma de atendimento, foi realizado um projeto de cartografia e aproximação com a população local que já vivia na região da cidade. Foram envolvidas entidades representativas, associações e entidades que já trabalhavam na região. Em mais de três meses de trabalho, foram aprofundados os conhecimentos preparatórios para a organização do espaço e foram estabelecidos os primeiros vínculos com os moradores de rua e usuários de álcool e drogas, principais populações presentes no entorno.

O maior resultado do esforço dessa cartografia inicial pode hoje ser conferido já na entrada do CAPS: sem cercas ou balcões, no mesmo nível da rua, o espaço se mostra convidativo e acolhedor, com área de convivência para a realização de trabalhos coletivos e individuais. A estrutura física condiz com a proposta do CAPS AD IV de ser, realmente, um “céu aberto”, inserido numa região de Porto Alegre, com áreas de grande vulnerabilidade socioeconômica e concentração da população em situação de rua, de acordo com o Plano Municipal de Saúde.

Acolhimento e atenção aos usuários que recorrem ao local contribui na recuperação das situações de fragilidade social | Foto: Emmanuel Denauí / Brun Filmes

Os valores da AESC vivenciados a cada dia

Para Arlete Fante, gestora de Saúde Mental da AESC, os resultados são decorrentes da proposta da mantenedora: “A escolha, a integração e a capacitação de profissionais; as oficinas de cocriação do espaço; o conceito das passagens de turno; tudo é pensado dentro dos valores da AESC, afirmando sua missão de prover serviços de saúde de qualidade, realizando um trabalho em rede com a cidade, conforme preconiza o SUS, e em diálogo constante com as necessidades advindas dos usuários e das comunidades do entorno”. 

O modelo de gestão do CAPS AD IV, segue, além dos valores AESC, as políticas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, e obedece aos preceitos auditados pela Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. “Nossa forma de gestão tem atraído profissionais diferenciados e reconhecimento em nível nacional. Temos estabelecido parcerias educacionais e de pesquisa com importantes instituições, como o Instituto do Cérebro da PUCRS, que mantém uma linha de pesquisa em nossas instalações”.

Em um ano de trabalho, atendendo ao chamamento público da Prefeitura de Porto Alegre, foi consolidada uma prática que vai além de atendimentos individuais. Muitas ações são prontamente realizadas quando da chegada dos usuários em crises graves. Após a abertura do prontuário, é desenvolvido um Projeto Terapêutico Singular, especial para cada paciente. A unidade conta com 20 leitos para tratamento de crises e de casos que necessitem de permanência temporária.

Baseados na escuta sensível e no cuidado continuado, atendimentos individuais e também as atividades coletivas são desenvolvidas pelos profissionais da área de pedagogia, educação física, psicologia, terapia ocupacional e de outras frentes de ação, como a equipe administrativa, as farmacêuticas, os enfermeiros, os técnicos de enfermagem e os médicos psiquiatras e clínico. Ao todo, são 61 profissionais em interação diária com a população vinculada ao serviço e que tem o CAPS AD IV como uma referência para suas questões de saúde e orientações em muitos outros campos da vida, como educação e moradia.

Com um olhar integral e singular para cada paciente, a equipe acompanha os pacientes até quando é necessário encaminhá-los para outros serviços especializados. “Isso gera a confiança e o retorno positivo diário, o que nos faz seguir adiante”, explica o Dr. Felipe Wagner, responsável técnico do serviço. Para o médico, da AESC que trabalha para o CAPS Céu Aberto desde o início, “é exatamente esse cuidado personalizado que derruba barreiras e supera as dificuldades de aproximação, alimentando o vínculo com pacientes fragilizados como, em especial, pacientes transexuais femininas, que estabeleceram um forte vínculo com a equipe da unidade”.

Coronavírus: informação e prevenção   

Atualmente, engajados na prevenção do Coronavírus, as atividades coletivas estão suspensas e foram reforçadas as práticas informativas e de cuidado direto com a população em vínculo com o Centro. Se na chegada ao Centro Céu Aberto já eram oferecidos kits e estrutura para banho, água e alimentações no local; agora até a tomada de medicação ganhou um acompanhamento especial.

O programa Tomada Direta Observada (TDO) oferece a medicação durante as refeições, observa e confere sintomas e realiza cuidados diretos, evitando que o paciente transite com medicamentos. Aos kits de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis foram acrescentados folhetos explicativos sobre o Coronavírus e álcool gel. Todos os kits são entregues com o reforço de informações para o cuidado individual, como a necessidade de lavar as mãos com frequência e evitar aglomerações. 

As pessoas que procuram o Centro Céu Aberto raramente têm acesso à informação, por isso, de acordo com Danara Dall Agnol, coordenadora do CAPS AD IV, “mais do que nunca, num cenário epidemiológico, a orientação de qualidade é um direito, além do cuidado e do olhar sensível, fundamentais nesse momento. Ampliamos as iniciativas para fazer chegar a todos os nossos pacientes informações claras, sensíveis às condições de cada um”, afirma a coordenadora.  

Sobre o cuidado com a equipe interna de trabalho num momento de crise como a epidemia causada pelo Coronavírus, o Dr. Wagner destaca a capacidade de trabalho do CAPS AD IV: “O suporte dado pela AESC, em equipamentos de segurança e práticas de gestão, nos traz a segurança para continuarmos o trabalho de frente, abertos e seguros para atender com qualidade, estando próximos da população, não somente nesse momento, mas auxiliando nossos pacientes a superarem suas dores e seguirem mais seguros em suas vidas”.

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