Tornar a casa um ambiente de estudo permanente desafia estudantes, professores e familiares. Conversar com profissionais da psicologia ajuda a superar as dificuldades / Foto: Banco de Imagem

Diante do momento atual, onde a maior parte da população enfrenta um novo modo de viver, de relacionar-se e, principalmente, do cuidado com os sentimentos, verifica-se a importância de um apoio psicológico frente aos principais afetados na área da Educação: estudantes e professores. Os alunos, devido à fase de desenvolvimento do conhecimento, à necessidade de resolução de dúvidas com o professor, ao convívio com colegas e aos projetos desenvolvidos em sala de aula. Os professores, pela falta de interação presencial com os estudantes e pela ausência de troca de conhecimentos para agregar em seus ensinamentos. Esses fatores ocasionaram grande frustração em ter de acompanhar os alunos por uma tela de computador.

Para amenizar essa situação, o Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em Farroupilha (RS), mantido pela Associação Educadora São Carlos (AESC), desenvolveu um trabalho de apoio, extensivo aos familiares. A ação visa à acolhida necessária a todos os envolvidos frente ao momento de pandemia. Este projeto, que ocorria de forma presencial quando houvesse necessidade, mostrou-se essencial neste período, justamente para que este núcleo de pessoas que convivem no colégio soubesse que o tratamento de sua saúde mental também é importante, além dos cuidados com o corpo.

Desenvolvido com a orientadora educacional com formação em Psicologia, Marília Freitas, responsável pelo Serviço de Orientação Educacional (SOE) do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, o projeto de grupos de escutas desempenha a função de ajudar alunos e professores que enfrentam dificuldades diárias com a pandemia. As famílias dos alunos também foram contempladas nesse processo pela demanda do suporte necessário aos filhos em casa. Aos professores, a escuta se dá pela função de adaptação ao momento e ao estresse ocasionado pela conciliação de suas rotinas.

“O trabalho do psicólogo, no período atual, é voltado ao acolhimento. Angústia e ansiedade são alguns dos sentimentos que a psicologia deve acolher, juntamente com sua ferramenta principal: a escuta. Através da escuta de um psicólogo, buscam-se estratégias de intervenção. O grupo de escuta foi uma proposta imediata para tal suporte, pois ele desempenha o papel de identificação entre um indivíduo e outro. No momento em que um colega identifica sua angústia no outro, ele entende que não está só. O objetivo da montagem dos grupos se dá também pela troca de vivências e pelo compartilhar de estratégias de cuidados.” esclarece Marilia Freitas.

Os grupos de escuta têm participações espontâneas, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Os pequenos, muitas vezes são acompanhados dos pais. Os adolescentes, participam de forma livre, podendo conversar melhor, sem a necessidade de pais ou familiares. A procura tem sido abrangente e os retornos positivos por parte de todos os envolvidos.

Apesar da distância dos ambientes físicos, Colégio NS Lourdes mantém atitude acolhedora, por meio dos grupos de escuta | Foto de 2019 – Brun Filmes/Emmanuel Denaui

 

A importância do cuidado psicológico atualmente

Marilia lembra que estamos em um momento no qual não temos conhecimento de uma vacina nem de um medicamento específico. Uma das formas de prevenção vem pelo cuidado com nossa imunidade, que está ligada também à saúde mental.

“Este é um momento de muitas ações colaborativas, onde todos aprendem a conviver com uma pandemia. Não existe manual para essa fase. Todos estão construindo uma nova forma de viver. Quanto mais ações de união surgirem com o intuito de se pensar a saúde, a educação, a vida em sociedade, mais ricas serão as construções comunitárias”, explica Marilia Freitas.

No âmbito educacional, quanto mais as famílias estiverem unidas com a escola, e essa acolhê-las, melhor será o processo de adequação para ambos os lados.

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