Turma de imigrantes e refugiados durante a etapa prática do curso, no hotel Ibis Caxias.
À esquerda, o instrutor Elias Duarte e a Irmã Celsa Zucco / Foto: Divulgação CAM

Após três semanas e 60 horas de aprendizados, uma nova esperança de inserção social se abre para 18 mulheres e homens que chegaram a Caxias do Sul em busca de uma nova vida. No dia 21 de fevereiro, ocorreu a formatura do grupo que participou do Curso de Qualificação Laboral e Cultural para Imigrantes e Refugiados. A capacitação foi oferecida pela AESC, por meio do Centro de Atendimento ao Migrante (CAM), e teve a parceria do hotel Ibis Caxias, com o suporte financeiro da Diocese de Caxias do Sul.

A turma foi composta por dez haitianos, três venezuelanos, dois peruanos, um ganês, um senegalês e um argentino. Entre os inscritos, havia pessoas que tinham desde o Ensino Fundamental incompleto até profissionais com dois cursos de Formação Superior. O tempo de vivência no Brasil varia entre seis anos e três meses, como no caso de refugiados da Venezuela.

Mesas do coquetel de conclusão do curso foram montadas a partir dos conhecimentos obtidos / Foto: Comunicação AESC

Novos aprendizados, novas oportunidades

A haitiana Danise Orelus, 29 anos, chegou ao Brasil em 2015. Com Ensino Médio incompleto, ela busca inserção no mercado de trabalho e viu no curso uma nova chance autonomia financeira. “Estou muito feliz. Aprendi muitas coisas que eu ignorava antes. Têm pessoas que não gostam de trabalhar com limpeza, mas eu gosto, aprendo muito. Agradeço ao professor Elias e ao CAM”.

Jorbranny Anais Torrealba, 21, é venezuelana e também se mostra grata pelos novos aprendizados. Ela tem Ensino Médio e está em Caxias do Sul desde 2018. “É muito difícil ser migrante e vir para um país novo aprender cultura e linguagens novas. Para mim e os demais imigrantes é um prazer vir para o CAM e ter essa grande oportunidade”, avalia. O senegalês Dame Lo, 27, há quatro anos em território brasileiro, gostou das atividades teóricas e das práticas oferecidas no hotel. Com perfil empreendedor, pretende ter o próprio negócio. “Estou fazendo faculdade para ter mais oportunidades na vida”, planeja.

As aulas foram ministradas no ambiente do CAM e na sede do hotel, proporcionando conhecimentos em procedimentos operacionais de limpeza, atendimento ao cliente, relações humanas, noções de segurança e primeiros socorros, além de informações sobre a cultura local, entre outros itens abordados.

Turma dedicada supera barreiras do idioma

O instrutor Elias de Castilhos Duarte, da empresa Tropical Serviços para Eventos, foi responsável por conduzir a capacitação. Com mais de 20 anos de experiência em cursos profissionalizantes de referência no setor de hotelaria, atua na preparação profissional de garçons, bartenders, camareiras e ensina a técnica do carving fruit – arte de esculpir frutas. “Faço trabalhos com imigrantes há mais de dez anos, e com refugiados foi minha primeira turma. Todos os alunos foram muito dedicados. Em cada informação compartilhada no curso trabalhamos, além das técnicas, com os aspectos culturais da nossa região”, relata. As pequenas dificuldades com o idioma foram vencidas de maneira criativa, usando a linguagem universal das mímicas.

Duarte afirma que na questão cultural aspectos como o cumprimento como o aperto de mão foram reforçados. “Para eles, é uma ofensa apertar a mão e olhar no olho da pessoa, mas passamos a fazer em todos nos nossos encontros, no início e no término, para mostrar no Brasil é um comportamento importante”, explica.

Entre as qualidades demonstradas pelos cursistas, ele destaca a formação de nível elevado de muitos deles, o fato de alguns dominarem espanhol e francês, além da compreensão com facilidade do sistema de trabalho em hotéis. “Quem contratar qualquer um dos alunos vai ter uma pessoa que será referência de profissional na sua equipe”, projeta.

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